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TERAPIA FAMILIAR

«De tal gente, tal semente.

« De tal ninho, tal passarinho.» (Ditados populares portugueses)

Longe vai o tempo - embora ainda não suficientemente longe - em que a família era vista, em termos psiquiátricos, como uma fonte de doenças geneticamente transmitidas.

É um pouco por isso que, ainda hoje, proliferam estudos sobre os mecanismos de transmissão genética e sobre a prevalência de doenças mentais na família - como tudo seria cientificamente simples (mas pseudo-científico) se pudéssemos encontrar «esse gene maldito» e imputar-lhe a grande responsabilidade pela depressão ou esquizofrenia que o filho tem; e que a mãe também tem; e que, afinal, a avó já tinha.

Para o paciente, a "explicação" genética tem benefícios óbvios, mas apenas ilusórios - «a responsabilidade da forma como me sinto, me comporto e me relaciono com o mundo não é minha, é do gene maldito» - e que são na verdade prejudiciais - «se a responsabilidade é do gene, o meu destino já estava marcado, não posso alterar a minha conduta, não me coloco em causa enquanto pessoa, logo, não procuro o tratamento adequado».

As ciências médico-psicológicas evoluíram, alargaram o seu campo de investigação, e já nada é assim tão redutora e confortavelmente simples. A maior parte das doenças mentais (que são as chamadas doenças funcionais ou de base predominantemente não-orgânica) são "transmitidas", não pela acção determinante de um gene causador e determinante, mas através das relações afectivas precoces, dos padrões de relacionamento adquiridos na família e que servem de modelo de reacção psicológica aos acontecimentos ao longo da vida.

A FAMÍLIA não é um ninho de "doenças genéticas", mas um ninho de afectos e de relações formadoras da personalidade. São esses padrões de personalidade que as pessoas transportam dentro de si e que se reflectem de geração em geração, incluindo:

1- A Família Nuclear Tradicional: pais e filhos - são estas as relações mais importantes porque formam o NÚCLEO da personalidade.

2- A Família Extensa: alargada a várias gerações - são também muito importantes na medida em que podem colmatar eventuais falhas ou carências ao nível das relações nucleares.

3- Outros elementos significativos: amigos, vizinhos, etc.

O QUE É A TERAPIA FAMILIAR?

É método psicoterapêutico realizado através de sessões conjuntas com os elementos de uma família, mesmo que a ajuda psicológica seja solicitada apenas para um dos membros, com o objectivo de trabalhar as relações internas da família enquanto sistema relacional no seu todo.

A patologia não é vista como pertencendo a um determinado membro da família, mas como uma disfunção do sistema familiar, que inclui modelos de comunicação e interacção afectivas.

As famílias que procuram a terapia familiar são aquelas nas quais, de alguma forma, o seu processo de desenvolvimento ficou bloqueado, não conseguindo por si mesmas criar respostas alternativas às dificuldades do seu quotidiano.

 

 

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