Porque é que já consultei vários Psiquiatras e Psicólogos e nunca consigo ser ajudado/a?
Existem certamente várias razões para que um paciente já tenha consultado vários Psiquiatras e Psicólogos e continue sem conseguir ser ajudado/a.
Numa linguagem simples, existem 2 grupos de razões:
1- Razões que têm a ver com a própria problemática pessoal do paciente.
Quase sempre a perturbação psíquica do paciente tem uma origem muito precoce, num período de vida em que a sua personalidade estava ainda em formação.
Apesar disso, a perturbação só se revela de forma evidente muito mais tarde (na adolescência ou em plena vida adulta).
O problema que se coloca ao paciente é que:
A) Já não se recorda dessas situações e acontecimentos precoces que provocaram a sua perturbação;
B) Não reconhece perante si mesmo a forma como estes acontecimentos precoces influenciaram e continuam a influenciar a sua maneira de ser, sentir, agir e reagir aos acontecimentos e relações ACTUAIS;
C) Mesmo quando reconhece estes acontecimentos precoces, reconhece apenas uma parte da sua influência na sua vida actual, normalmente a parte menos traumática e menos dolorosa de recordar.
Aquilo que é verdadeiramente DRAMÁTICO para o paciente é:
A) Como a origem do seu problema vem do tempo das primeiras relações afectivas (portanto, há muito tempo atrás), o paciente tem dificuldade em confiar nas relações afectivas, incluindo a relação terapêutica.
B) Por isso, o paciente tem tendência a fazer uma de duas coisas: ou simplesmente não procura ajuda (certo que está de não poder ser ajudado) ou então procura ajuda «com um pé atrás».
RESUMINDO: pode ser contraditório, mas sabe-se que o paciente que mais precisa de ajuda é aquele que normalmente não procura ajuda ou aquele que "procura" ajuda para confirmar que não pode ser ajudado.
2- Razões que têm a ver com a técnica de Avaliação, Diagnóstico e logo com a Terapêutica utilizada por parte do Técnico de Saúde Mental.
A complexidade dos problemas psíquicos descritos no ponto 1 são difíceis de diagnosticar porque quase sempre passam despercebidos ao paciente, que assim não os verbaliza, e por vezes também aos técnicos de saúde mental.
A técnica de avaliação e tratamento para estes casos complexos é igualmente complexa, na medida em que tem que incluir uma observação, análise e resposta adequada aos factores inconscientes da patologia - ver Psicoterapia Psicanalítica - , sem a qual o paciente vai continuar a provar (a si mesmo e não só) que não pode ser ajudado.
Estes aspectos (dificuldades do paciente / técnicas inadequadas) normalmente não são discutidos nem considerados, mas são reais.
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