Porque é que já consultei vários Psiquiatras e Psicólogos e ainda não consegui ser ajudado/a?
Existem certamente várias razões, mas que podem ser reunidas em 2 grupos de razões:
1- Razões que têm a ver com a própria problemática pessoal do paciente.
Quase sempre os problemas psicológicos, apesar de só se revelarem na adolescência ou na vida adulta, tiveram uma ORIGEM muito precoce, num período de vida (infância) em que a sua personalidade estava ainda em formação. Por isso:
A) A pessoa já não se recorda dos ACONTECIMENTOS e das RELAÇÕES precoces que provocoram esse problemas;
B) Não reconhece perante si mesmo a forma como estes acontecimentos e relações precoces influenciaram (e continuam actualmente a influenciar, embora de forma inconsciente) a sua maneira de ser, sentir, agir e reagir aos acontecimentos e relações actuais;
C) Como a origem do problema vem do tempo das PRIMEIRAS RELAÇÕES AFECTIVAS (normalmente com os pais), o paciente também tem dificuldade em confiar nas RELAÇÕES AFECTIVAS ACTUAIS, incluindo a relação terapêutica. Por isso, o paciente tem tendência a fazer uma de duas coisas:
- ou simplesmente não procura ajuda (certo que está de não poder ser ajudado)
- ou então procura ajuda, MAS (inconscientemente) «com um pé atrás».
RESUMINDO: pode ser contraditório, mas sabe-se por experência que o paciente que MAIS PRECISA de ajuda é aquele que normalmente MENOS PROCURA ajuda; ou aquele que procura ajuda, mas de forma receosa, pouco decidida e com tendência para desistir facilmente ou perante as primeiras dificuldades (SÃO NECESSÁRIOS VÁRIOS MESES, EM MÉDIA 3 a 4 MESES, PARA QUE A RELAÇÃO TERAPÊUTICA SE TORNE SUFICIENTEMENTE SÓLIDA PARA COMEÇAR A PRODUZIR MUDANÇAS PROFUNDAS E DURADOURAS).
2- Razões que têm a ver com a técnica de Avaliação/Diagnóstico e com o Metodologia Terapêutica utilizada por parte do Técnico de Saúde Mental.
Os problemas psicológicos são difíceis de diagnosticar porque as VERDADEIRAS CAUSAS (Padrões Inconscientes de Relacionamento, formados na infância) quase sempre passam despercebidas ao paciente; por essa razão, o paciente não as verbaliza.
A técnica de avaliação e tratamento para estes casos complexos é igualmente complexa, na medida em que tem que incluir uma observação especializada, análise aprofundada e resposta adequada aos factores inconscientes da patologia do paciente - ver Psicoterapia Psicanalítica.
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